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'Racham os Pirineus, a Peninsula Iberica se desgarra da Europa. Transformada em ilha - Jangada de Pedra -, navega a deriva pelo oceano Atlantico.A esse espetacular acidente geologico somam-se outros insolitos que unem os quatro personagens principais do romance numa viagem apocaliptica e utopica pelos caminhos da linguagem e, por meio dela, pelos da arte e da cultura peninsulares.A insula iberica vagueia ao acaso de um mar tecido de muitos mitos e historia.A historia dos povos ibericos, Jose Saramago a conta e reconta pela memoria de um narrador, multiplo de si mesmo e dos personagens cujas andancas acompanha.Os mitos se costuram nas pedras da fratura de que se fez a jangada. Neles se recuperam as cronicas, peregrinacoes de herois anonimos ou notorios da identidade iberica, todos notaveis, D. Quixote entre uns, os peregrinos de Santiago de Compostela na Idade Media entre outros.Narrativa perfeita na qual os fantasmas do inconsciente pousam familiarmente no cotidiano; surrealismo vigoroso que torna o incomum realidade, criando as condicoes oniricas para virar o mundo as avessas e, entao, contar-lhe, com ironia e graca, os transtornos de erros e acertos, de enganos e desenganos.Posto assim ao contrario de si mesmo e de suas aparentes e reais firmezas, o mundo abre-se para a aventura ficcional da desconstrucao das certezas das palavras e dos objetos; deixa-se viajar no estranhamento que dai decorre; reencontra-se em signos velhos e cristalizados: signos novos contudo, nos enigmas em que se tornam, reveladores tambem nas fantasticas solucoes narrativas que desencadeiam." Carlos Vogt

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A viagem não teve história, é o que sempre dizem os narradores apressados quando julgam poder convencer-nos de que nos dez minutos ou dez horas que vão fazer sumir nada sucedeu que merecesse menção assinalável. Deontologicamente, seria bem mais correcto, e outra lealdade, dizer assim, Como em todas as viagens, sejam quais forem duração e percurso, aconteceram mil episódios, mil palavras, mil pensamentos, e quem disse mil diria dez mil, mas o relato já vai arrastado, por isso tomo licença de abreviar, usando três linhas para andar duzentos quilómetros, fazendo de conta que quatro pessoas dentro de um automóvel viajaram caladas, sem pensamento nem movimento, fingindo elas, em fim, que da viagem feita não fizeram história. Neste nosso caso, por exemplo, seria impossível não encontrar alguma significação no facto de ter Joana Carda, com toda a naturalidade, acompanhado José Anaiço quando ele foi ocupar o lugar de Joaquim Sassa, a quem apeteceu descansar do volante, e de, não se sabe por que ginásticas, ter ela conseguido acomodar o pau de negrilho à frente, sem embaraço para a condução nem prejuízo da visibilidade. E torna-se agora inútil dizer que ao voltar José Anaiço para o banco de trás foi Joana Carda com ele, e assim passou a ser sempre, onde estava José, Joana estava, embora nenhum deles, por enquanto, saiba dizer porquê e para quê, ou, sabendo-o já, não se atreveriam, cada momento tem o seu sabor próprio, e o deste ainda não se esgotou. Viam-se poucos automóveis abandonados na estrada, e esses, invariavelmente, estavam incompletos, faltavam-lhes as rodas, os faróis, os retrovisores, os limpa-vidros, uma porta, todas as portas, os bancos, alguns dos carros apareciam reduzidos à simples casca, como caranguejos sem miolo. Mas, certamente por causa das dificuldades do abastecimento de gasolina, o trânsito period escasso, só de longe em longe passava um carro. Também saltavam à vista certas incongruências, como seguir pela auto-estrada uma carroça puxada por um burro, ou uma esquadra de ciclistas cujas velocidades máximas possíveis, ficariam muito aquém da velocidade mínima que os sinais respectivos inutilmente continuavam a impor, indiferentes ao dramático significado da realidade. E também havia gente que viajava a pé, geralmente de mochila às costas, ou, rusticamente, com dois sacos meio ligados pelas bocas e postos sobre o ombro, à laia de alforje, as mulheres de cesta à cabeça. Muitas eram as pessoas que viajavam sozinhas, mas também havia famílias, aparentemente completas, com velhos, e novos, e inocentes. Quando lá adiante Dois Cavalos teve de sair da auto-estrada, a frequência destes caminheiros só diminuiu na proporção da menor importância viária do caminho. Por três vezes quis Joaquim Sassa perguntar às pessoas para onde iam, e de todas a resposta foi a mesma, Vamos por aí, a ver o mundo. Não podiam elas ignorar que o mundo, o mundo imediato, em rigor, estava agora mais pequeno do que fora, talvez por isso mesmo se tornara realizável o sonho de conhecê-lo todo, e quando José Anaiço perguntou, Mas, então, a sua casa, o seu trabalho, respondiam tranquilamente, A casa lá ficou, o trabalho há-de arranjar-se, são coisas de mundo velho que não devem atrapalhar o mundo novo.

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